‘Ainda Estou Aqui’ Ganha Oscar Histórico e Reforça a Luta Contra o Passado Sombrio do Brasil: Ditadura Nunca Mais e Punição aos Golpistas de Bolsonaro
O Oscar e seu significado histórico e político
Na noite do Oscar 2025, o Brasil celebrou uma conquista histórica com Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, ao vencer o prêmio de Melhor Filme Internacional—o primeiro filme brasileiro a receber uma estatueta da Academia. O feito, celebrado no Dolby Theatre, transcendeu o glamour de Hollywood, ressoando como um grito de resistência em um país que luta para exorcizar os fantasmas da ditadura militar de 1964 e os ecos recentes de autoritarismo liderados por Jair Messias Bolsonaro, hoje à beira de um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode culminar em sua prisão. Ao subir ao palco com o diretor, Fernanda Torres, protagonista do longa, declarou com voz firme: “Ditadura nunca mais!”—uma mensagem que não apenas homenageia as vítimas do passado, mas também serve como um apelo urgente por justiça contra os golpistas contemporâneos.
Baseado nas memórias de Marcelo Rubens Paiva, o filme retrata a saga de Eunice Paiva (vivida por Torres e Fernanda Montenegro em diferentes fases), uma mãe que viu seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, ser sequestrado e desaparecido pelo regime militar em 1971. O que começa como um retrato íntimo da vida familiar carioca desaba em um abismo de dor e luta quando a ditadura arranca Rubens de casa, deixando Eunice para enfrentar o vazio e buscar respostas em um sistema que negava até o direito à verdade. Mais do que uma narrativa pessoal, Ainda Estou Aqui é um libelo contra as atrocidades de 1964—e, para muitos, um incentivo claro para punir os responsáveis por tentativas recentes de golpe, como as lideradas por Bolsonaro.
As Atrocidades da Ditadura de 1964 em Foco
A ditadura militar que tomou o poder em 1964, com apoio dos Estados Unidos, instaurou um regime de terror que durou até 1985. Milhares de brasileiros—ativistas, intelectuais, artistas ou simples cidadãos—foram presos sem motivo, torturados em instalações clandestinas e assassinados. A Comissão Nacional da Verdade confirmou 434 mortes ou desaparecimentos, mas o número real pode ser muito maior. Rubens Paiva foi uma vítima emblemática: levado de casa à luz do dia, torturado com choques elétricos e outras brutalidades, seu corpo nunca foi devolvido à família, provavelmente descartado em uma vala ou no mar.
Os métodos do regime eram cruéis: sessões de choque, afogamento simulado e humilhações psicológicas eram rotina. Famílias como a de Eunice Paiva eram condenadas à incerteza, sem corpos para chorar ou respostas para suas perguntas. A censura sufocava a imprensa, os partidos de oposição eram proibidos, e a dissidência era esmagada com uma violência que misturava precisão militar e sadismo desenfreado. Ainda Estou Aqui expõe essas feridas com uma força contida, mostrando como a resiliência de Eunice transformou sua dor em uma luta por justiça que ecoa até hoje.
Um Chamado à Punição dos Golpistas de Bolsonaro
O impacto de Ainda Estou Aqui vai além de relembrar o passado; ele se projeta como um alerta contra o presente. O filme chega em um momento crítico, enquanto Jair Bolsonaro enfrenta investigações no STF por seu papel no ataque golpista de 8 de janeiro de 2023, quando seus apoiadores invadiram o Congresso, o Planalto e o Supremo em Brasília, num ato que espelhou o assalto ao Capitólio nos EUA. Bolsonaro, que nunca escondeu sua admiração pela ditadura—chegando a chamar o golpe de 1964 de “Dia da Liberdade”—é acusado de incitar essa tentativa de subverter a democracia. Agora, com provas robustas de sua participação, especialistas preveem que o ex-presidente será julgado e preso, uma punição que muitos veem como essencial para evitar a repetição da história.
A vitória do filme no Oscar, com indicações adicionais a Melhor Filme e Melhor Atriz para Torres, amplifica esse recado. Com mais de 5 milhões de espectadores no Brasil desde sua estreia em novembro de 2024 e US$ 27 milhões arrecadados mundialmente, Ainda Estou Aqui tornou-se um fenômeno cultural que não apenas honra as vítimas de 1964, mas também pressiona por responsabilização dos golpistas de hoje. “Esse filme é um lembrete para punir quem tentou nos arrastar de volta àquele abismo,” disse o cineasta José Padilha em entrevista recente. “Bolsonaro e seus aliados precisam responder por seus crimes.”
Justiça em Movimento
A relevância do filme já reverbera no Judiciário brasileiro. Em dezembro de 2024, o Conselho Nacional de Justiça emitiu certidões de óbito para as 434 vítimas confirmadas da ditadura, reconhecendo oficialmente suas mortes como atos de violência estatal—um marco que Eunice Paiva perseguiu até obter o atestado de Rubens em 1996. Mais recentemente, o ministro Flávio Dino, do STF, citou Ainda Estou Aqui ao propor revisar a Lei da Anistia de 1979, que protege militares da ditadura de processos judiciais. Paralelamente, o julgamento iminente de Bolsonaro no STF ganha força com o clamor público alimentado pelo filme, que transforma a luta de Eunice em um símbolo contra qualquer forma de autoritarismo.
Ditadura Nunca Mais!
Ao receber o Oscar, Fernanda Torres falou com a emoção de quem entende o peso do momento: “Por Eunice, por Rubens, por todas as famílias destruídas pela tirania, e para que os golpistas de hoje sejam punidos: ditadura nunca mais!” Esse brado—“Ditadura nunca mais!”—não é apenas uma homenagem às vítimas do passado, mas uma exigência de justiça no presente. Ainda Estou Aqui é um retrato cru das consequências do autoritarismo e um apelo para que figuras como Bolsonaro, prestes a enfrentar a prisão, paguem por tentar repetir esse passado sombrio.
Na cerimônia de 2025, marcada por histórias de luta e redenção, a vitória brasileira brilha como um farol de memória e responsabilidade. É a arte desafiando o silêncio, a história exigindo justiça, e um recado inequívoco ao Brasil e ao mundo: ditadura nunca mais—e que os golpistas, de ontem e de hoje, enfrentem as consequências. Que o Oscar de Ainda Estou Aqui seja o prelúdio de um futuro onde a democracia prevaleça e Bolsonaro, enfim, seja julgado e preso.



